São Tomé, 21 de julho de 2026 – A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE UE) em São Tomé e Príncipe 2026 apresentou hoje, numa conferência de imprensa, a sua avaliação preliminar sobre a observação das eleições de 19 de julho.
A presente declaração constitui uma análise abrangente do período pré-eleitoral, da votação e do apuramento, observados em todos os distritos do país e na Região Autónoma do Príncipe, por 30 observadores provenientes de 15 Estados-Membros da UE, bem como do Canadá, que, no dia das eleições, visitaram 104 mesas de voto, cobrindo 60 por cento das circunscrições.
“Apesar da sua natureza temporária, as eleições foram organizadas de forma eficiente pela Comissão Eleitoral Nacional, tendo todo o material chegado atempadamente às mesas de voto”, explicou Sérgio Humberto, chefe dos observadores da MOE UE, durante a conferência de imprensa. “O dia eleitoral decorreu de forma tranquila e pacífica, os procedimentos de votação foram amplamente respeitados e as medidas de integridade aplicadas. No entanto, a taxa de abstenção situou-se em quase 59 por cento, o que representa um mínimo histórico de participação eleitoral em São Tomé e Príncipe”, acrescentou.
A declaração preliminar da UE salientou que a eleição decorreu num contexto sem precedentes, em que os dois principais candidatos estavam associados a alas opostas rivais do partido político no poder, o partido Ação Democrática Independente (ADI). A disputa de liderança não resolvida no seio do ADI afetou a competição eleitoral e o ambiente político em geral, para além da decisão tomada pelos outros principais partidos políticos de não apresentarem os seus próprios candidatos.
O Sr. Humberto observou que: “A campanha decorreu de forma pacífica e festiva, com o respeito pelas liberdades fundamentais e a possibilidade de os candidatos fazerem campanha livremente. Não foram registados incidentes”.
O documento da Missão de Observação Eleitoral da UE afirmou que, apesar dos recursos humanos e financeiros limitados, os meios de comunicação públicos e privados proporcionaram uma cobertura adequada das atividades de campanha. As emissoras públicas ofereceram uma cobertura equilibrada e os meios de comunicação privados noticiaram as atividades de campanha num tom geralmente neutro. Rumores e informações enganosas, que circularam principalmente através de contas não verificadas nas redes sociais, contribuíram para criar um ambiente online de incerteza, no qual também se registaram acusações pessoais e ataques verbais entre as duas alas distintas do partido ADI.
A convite das autoridades santomenses, a MOE UE está presente em São Tomé e Príncipe desde o dia 14 de junho. A missão da UE permanecerá no país para observar o resto do processo eleitoral e regressará em setembro para observar as eleições legislativas, autárquicas e regional.
Um relatório final abrangente, com recomendações oferecidas às autoridades e ao público para futuras eleições, será publicado no prazo de dois meses após a conclusão dos processos eleitorais.