Moçambique vence, pelo segundo ano consecutivo, concurso fotográfico Somos –
Imagens da Lusofonia, que decorreu de 26 de Janeiro a 20 de Março deste ano e que teve por
tema “O Ontem do Passado”.
O fotógrafo moçambicano, Hamir da Silva, concorreu com a imagem de um homem a
sintonizar a frequência de um rádio antigo, resistente ao tempo, num mundo que corre atrás
das novas tecnologias. Adão Salgado e Carlos Júlio Teixeira, ambos de Portugal, completam o
trio de premiados, com fotografias de tradições que perduram até hoje, desde a pesca
artesanal- Arte Xávega – ao coro de mulheres durante a festa a São Vicente.
A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP) irá
organizar a subsequente exposição fotográfica, no dia 29 de Maio pelas 18h30, nas Casas Museu
da Taipa.
O júri do concurso atribuiu o primeiro lugar à imagem “Resiliência da comunicação”, do
fotógrafo moçambicano, Hamir da Silva, a qual remete para a intemporalidade de um rádio
antigo e duas latas unidas por um fio improvisado, numa reinvenção da infância e da cultura de
brincar que atravessa gerações. No centro da imagem, um homem sintoniza, pacientemente, a
frequência do aparelho que resiste ao tempo. Enquanto o mundo corre atrás de novas
tecnologias, o senhor Gilbert relembra que o simples pode ser extraordinário e que a memória
tem o poder de unir pessoas.
Com esta imagem o fotógrafo Hamir da Silva receberá, assim, o primeiro prémio do
concurso no valor de dez mil patacas (o equivalente a 1055€) e uma viagem e estadia em Macau,
de forma a participar na cerimónia de inauguração da exposição e em workshops organizados
localmente.
O segundo prémio, no valor sete mil patacas (cerca de 730€), foi conquistado pelo
português Adão Salgado, autor da fotografia “O mar como legado vivo”, representando a
técnica secular da pesca tradicional portuguesa – Arte Xávega – que continua a alimentar
comunidades e a definir a alma do litoral português. Um ciclo produtivo pleno de função e
propósito: a rede que sobe o areal traz consigo o sustento de agora e a herança de outrora;
apoiado pelo esforço dos pescadores, assiste-se à vitalidade de um ofício que resiste à
globalização.
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Já o português Carlos Júlio Teixeira recebeu o terceiro prémio, no valor de 5.000 patacas
(cerca de 525€), com a fotografia intitulada “A fé cantada” tirada no interior de uma igreja,
durante a festa devotada a São Vicente, onde vozes se reúnem em coro num acto de fé pública,
quase ancestral. São as mulheres que cantam e é na sua voz que permanecem vivas as
memórias de um povo que canta para não esquecer.
Neste concurso, foram ainda atribuídas três menções honrosas (através de certificado)
a três concorrentes. Os autores das fotografias que mereceram esse destaque são Carlos Costa
(Portugal) com “Varge” tirada em Trás-os-Montes durante as “Festas dos Rapazes”, uma
tradição antiga e emblemática da região. A festa é uma oportunidade para os rapazes
mostrarem a sua habilidade e força, com danças e jogos tradicionais; Clarice Carvalho (Brasil)
com o “Presente do passado” com a força da escrita a atravessar o tempo, permanecendo activa
não como vestígio, mas como continuidade; e Marcos Júnior (Moçambique), vencedor da
edição anterior, com a fotografia “Crescer entre memórias” tirada diante de uma casa onde
paredes antigas carregam histórias coloniais, vozes distantes e marcas de uma relação histórica
entre Moçambique e Portugal, construída num tempo que não lhes pertence as crianças
brincam como se o passado nunca tivesse sido pesado.
O painel de jurados, composto por fotojornalistas a trabalhar em Macau, Portugal, Brasil
e Moçambique, foi presidido pelo fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro, o também representante
da Somos – ACLP enfatiza que a sétima edição do concurso da Somos – ACLP voltou a “ser um
sucesso ao nível da participação”, com centenas de fotografias a concurso, provenientes de
diversos pontos da esfera lusófona. Um dado que confirma a vitalidade do projecto e o seu
alcance internacional, “algo que muito nos orgulha”.
Ao nível das obras submetidas destacaram‑se propostas muito “consistentes, que
justificaram plenamente a selecção final”. Os vencedores, bem como as menções honrosas
atribuídas “reflectem a diversidade geográfica e criativa do universo lusófono”. Para além dos
vencedores e menções honrosas, e à semelhança de outros anos, foram, ainda, escolhidas 34
fotografias que irão compor a exposição desta edição”. Gonçalo Lobo Pinheiro sublinha que a
decisão do júri foi “unânime” revelando a “solidez e a clareza dos critérios aplicados”.
O concurso fotográfico Somos – Imagens da Lusofonia este ano subordinado ao tema “O
Hoje do Passado” vai já na sua sétima edição e tem-se afirmado como um concurso plural, vivo
e representativo da fotografia contemporânea em língua portuguesa. O representante da
Somos – ACLP refere que a iniciativa será para continuar esperando que o “número de
participantes aumente a cada edição, sendo um grande desafio para a associação encontrar
temas que sejam adequados para o universo lusófono, que abrange tanta diversidade”.
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Em linha com as edições anteriores, as fotografias premiadas neste concurso,
juntamente com cerca de quatro dezenas de outras que foram seleccionadas pelo júri de entre
as candidatas, pela sua relevância ou valor para o tema do concurso fotográfico e para o
propósito da Somos – ACLP de projectar a dimensão cultural da Lusofonia, assim como o papel
de Macau enquanto plataforma que une a China e os países/regiões de Língua Portuguesa,
integrarão uma exposição a ter lugar no dia 29 de Maio nas Casas Museu da Taipa.
A exposição “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/26: O Hoje do Passado”, tem
curadoria do arquitecto e fotógrafo, Francisco Ricarte e este ano conta com a presença do
vencedor, Hamir dos Santos, fotógrafo moçambicano.
A VII edição é patrocinada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo da
Região AdmiAtt,
Marta Pereira