ENTRE LUGARES: memória e identidade na pintura de Vítor M. M. Azevedo

Num regresso às suas raízes, o artista luso-cabo-verdiano Vítor M.M. Azevedo
apresenta no IILP, no dia 2 de novembro, “Entre Lugares”, uma exposição sobre
identidade, memória, cor e pertença, numa viagem artística marcada pela
história da sua família.
Filho de mãe portuguesa e de pai cabo-verdiano, o artista, que, após toda a sua
juventude em Portugal, passou a residir em Inglaterra há 27 anos, regressa agora
às suas raízes paternas para apresentar um conjunto de obras que, cruzando
identidade, memória e território, refletem o modo como os lugares, as cores e as
memórias contribuem para a construção da identidade.
Um regresso que ganha, assim, um significado pessoal, familiar e também
artístico, pois que será a primeira vez que, num percurso já longo e multifacetado,
apresentará obras suas em Cabo Verde.
A realização da exposição no IILP tem também algum significado particular pois
que ela acontece, assim, numa rua e numa zona da cidade fortemente ligada à
história da sua própria família e, desse modo, também às suas próprias raízes
familiares, que permanecem vivas. Para o artista, isto representa um reencontro
com uma parte da sua própria história e o estabelecer de um diálogo entre a sua
experiência de vida e o lugar de onde vem a sua família.
«É uma alegria enorme estar de volta e poder expor numa rua que faz parte da
história da minha família. É a primeira vez que apresento o meu trabalho em Cabo
Verde e fazê-lo neste lugar torna esta experiência particularmente especial»,
afirma Vítor M. M. Azevedo.
A sua pintura parte de uma observação atenta da arquitetura e da vida urbana. A
geometria dos edifícios, o contraste entre luz e sombra, as cores das fachadas e
a presença das pessoas no espaço urbano são elementos que se transformam
em composições de forte expressão cromática. O artista encontra nestes
elementos uma linguagem visual que ultrapassa a representação dos lugares e
procura revelar as emoções, as memórias e as ligações culturais que neles
permanecem.
A observação de Lisboa, das suas fachadas, das sombras e das cores dos
edifícios, estabelece um diálogo com a paisagem urbana da Praia. No Plateau, os
edifícios antigos, as suas tonalidades e os detalhes arquitetónicos oferecem uma
nova leitura do espaço. A presença de um rosa intenso numa fachada histórica,
por exemplo, torna-se um ponto de partida para refletir sobre a forma como a cor
transforma a perceção de um lugar e desperta memórias e sentimentos de
pertença.
Em Entre Lugares, esta relação entre duas geografias não é apresentada como
uma escolha entre identidades, mas como a possibilidade de coexistência de
diferentes referências culturais numa mesma experiência. Portugal, Cabo Verde
e Inglaterra fazem parte do percurso do artista, cuja obra procura compreender
como as origens, as vivências e as deslocações influenciam a maneira como cada
pessoa observa o mundo.
A exposição constitui, assim, um encontro entre a experiência individual e a
memória coletiva. Através da cor, da geometria e da interpretação visual da
arquitetura, Vítor M. M. Azevedo convida o público a olhar para os lugares
familiares de uma forma renovada e a reconhecer as histórias que permanecem
inscritas nas suas ruas e nos seus edifícios.
Mais do que um regresso geográfico, Entre Lugares representa um reencontro
com as raízes e uma reflexão sobre aquilo que nos liga aos lugares de onde vimos,
mesmo quando a vida nos leva para longe.
Informações sobre a exposição

  • Título: Entre Lugares — Exposição de Pintura
  • Artista: Vítor M. M. Azevedo
  • Local: Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Casa Cor-de-Rosa,
    Avenida Andrade Corvo, n.º 8, Plateau, Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo
    Verde.
  • Inauguração: 2 de novembro de 2026, às 18h00.
  • Período de exposição: De 2 a 21 de novembro.
  • Horário de visita: de segunda à sexta-feira, das 10h – 16h.

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