Governo analisa pedido para demissão da reitora da Universidade de São Tomé

O primeiro-ministro são-tomense disse hoje que o executivo analisará o pedido para demitir a reitora da única universidade pública do arquipélago, após “constatar que há um conflito bastante profundo entre a reitoria e a comissão dos professores”.

“Apar da carta reivindicativa dos professores, pude constatar que há um conflito bastante profundo entre a reitoria e a comissão dos professores. Há muita falta de comunicação, muito ressentimento entre a reitoria e a comissão dos professores. Por isso é algo que temos que trabalhar […] é preciso debruçar sobre isso o mais urgente possível”, disse Américo Ramos.

 primeiro-ministro falava aos jornalistas após presidir – ladeado pela ministra da Educação, Isabel Abreu – a uma reunião entre a comissão de docentes e não docentes da Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP) e a reitoria da instituição.

A comissão de docentes e não docentes da USTP entregou um pré-aviso de greve ao executivo, prevendo uma paralisação total e por tempo indeterminado a partir do dia 06 de abril, reivindicando vários pontos, incluindo a revisão e aprovação de legislação de carreira e remuneratória, bem como a demissão da reitora.

“A reitora e a sua comitiva têm sido um entrave enorme, dia a dia, mês a mês, em relação a todos os projetos que nós apresentamos e que nós queremos fazer acontecer pelo bem-estar e no progresso e desenvolvimento da universidade”, disse o porta-voz da comissão, o jurista e professor Homildo Fortes.

A comissão alega que a USTP tem vivido um “momento de verdadeira crise institucional”, desde há um ano, o que, já na altura, motivou o pedido de demissão da reitora, na base de acusações graves, tendo “havido até procedimento criminal” que aguarda decisão.

Segundo Homildo Fortes, a situação ter-se-á agudizado e chegou a “um ponto de saturação” devido à falta de colaboração da reitora na negociação do mais recente pré-aviso de greve apresentado em janeiro, que, após o pedido da ministra para que a reitora tratasse, a mesma “simplesmente ignorou, não trabalhou nos documentos, o que forçou a senhora ministra a criar uma comissão multidisciplinar” para avançar as negociações.

“Nós assinamos o memorando de entendimento, a senhora ministra assinou o memorando de entendimento, remeteu à senhora reitora, a senhora reitora pegou e arquivou, não mandou para a comissão”, acrescentou.

O docente admitiu que há consenso para se avançar com outros sete pontos do caderno reivindicativo, mas a classe não aceitará um acordo sem a demissão da reitora Eurídice Helga Aguiar, que não quis reagir às acusações.

Eurídice Helga Aguiar, Doutorada em Ciências da Educação pela Universidade de Évora, é a primeira mulher eleita reitora da Universidade de São Tomé, em junho de 2023, tendo sido, antes, presidente do Instituto Superior de Ciências da Saúde Victor Sá Machado. Lusa

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