Plataforma da REDE PALOP+TL promete ampliar o acesso ao mercado para cineastas de Cabo Verde

A nova plataforma online da REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, que será apresentada neste sábado no Tech Park, na cidade da Praia, promete transformar o acesso ao mercado para cineastas e profissionais do audiovisual de Cabo Verde e dos restantes Países de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste. 

A ferramenta, em desenvolvimento, vai transformar o mapeamento do setor, atualmente em curso, num Diretório Profissional e visa colmatar uma das principais lacunas identificadas pelos profissionais: a falta de visibilidade e de canais de distribuição.

“Uma das coisas que constatámos foi que há muitos filmes feitos nos nossos países que acabam por não circular. Ficam na gaveta. E há muitos bons filmes que não passam por festivais”, afirmou Samira Vera-Cruz, realizadora cabo-verdiana e membro cofundadora da Rede. “O futuro é cada vez mais coletivo, tanto em termos de financiamento, como de projetos. Esta plataforma vai servir precisamente para difundir o que é feito na nossa região”, realçou.

A plataforma, já disponível para consulta e com lançamento previsto até ao final do ano, permitirá que profissionais e empresas criem perfis com currículo, portefólio e contatos, facilitando contratações por produtores e instituições internacionais. 

Segundo Diana Manhiça, coordenadora da REDE, a ferramenta vai “sistematizar dados sobre o setor, contribuindo também para promover o desenvolvimento de políticas públicas mais ajustadas”. Já estão identificados mais de 400 profissionais e empresas em Moçambique, cerca de 200 em Timor-leste, número que será completado com os dados de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, incluindo os profissionais a operar na diáspora.

A grande inovação da plataforma será a criação de uma Agência de Curtas PALOP+TL, com lançamento previsto para 2027. “Muitas vezes é difícil distribuir uma curta-metragem”, explicou Samira Vera-Cruz. “Nós, tendo a vantagem de partilharmos a região, através de pacotes de curadoria, propomos ultrapassar essa barreira e chegar mais longe, ter mais competitividade nos mercados de cinema internacionais”.

Para Samira, o impacto da ferramenta será sentido a longo prazo, especialmente na mudança de mentalidade dos profissionais. “Vamos mudando um bocadinho esse ‘mindset’ de pensar as coisas desde o desenvolvimento”, disse, referindo-se à necessidade de planeamento integrado entre financiamento, distribuição e impacto. “As ações de capacitação que estamos a realizar agora vão ter resultado lá à frente.”

Em Maputo, a Plataforma foi apresentada aos profissionais e ao público no início de setembro, e agora é a vez de uma apresentação em Cabo Verde. A equipa tem ainda prevista uma apresentação do trabalho em Lisboa, no próximo mês de novembro, no âmbito da Conferência Internacional do Audiovisual da CPLP, evento promovido por esta organização internacional, no âmbito do Programa Audiovisual CPLP.

A REDE encontra-se a desenvolver uma etapa do seu projeto, que conta com financiamento do Camões, I.P., através do Programa PROCERIS, e com apoio adicional do Cultiv’Arte, financiado pela União Europeia e implementado pela Expertise France, em parceria com o Ministério da Educação e Cultura de Moçambique. 

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