São Tomé/Eleições: Corrupção nacional gera consenso entre candidatos presidenciais

Os quatro candidatos a Presidente de São Tomé e Príncipe expressaram esta terça-feira à noite consenso sobre o efeito devastador da corrupção no país, no primeiro e único debate previsto nas eleições agendadas para domingo.

Os quatro candidatos a Presidente de São Tomé e Príncipe expressaram esta terça-feira à noite consenso sobre o efeito devastador da corrupção no país, no primeiro e único debate previsto nas eleições agendadas para domingo.

Quando Nito d’Abreu afirmou que a corrupção em São Tomé e Príncipe “é a maior catástrofe que o país tem vivido neste meio século [de independência]” e que o estado da Justiça afasta qualquer investimento na economia, já o atual Presidente, Carlos Vila Nova, lembrara que ninguém coloca dinheiro no país se os tribunais não funcionarem, tendo acabado uma das intervenções a defender que é preciso “fazer da Justiça uma causa nacional”.

Já o jurista Eugénio Tiny falou numa “ferida cancerosa que está a destruir o país”, argumentando que só pode existir uma Justiça forte se existir uma economia saudável.

Por sua vez, o advogado Miques João, denunciou existir uma “ingerência dos políticos nos tribunais” e lamentou o “flagelo nacional que é a corrupção”.

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No debate que durou mais de duas horas na Televisão São-Tomense (TVS), a cinco dias das eleições e a cerca de três meses das legislativas, todos os quatro candidatos garantiram que, uma vez eleitos, respeitariam os resultados das urnas, prometendo uma coabitação institucional com o Governo que sair da vontade popular, sublinhando que o chefe de Estado não governa, mas que pode influenciar as políticas governativas.

Carlos Vila, que não conta agora com o apoio Ação Democrática Independente (ADI), recandidata-se suportado por uma plataforma da oposição, que incluiu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Partido de Convergência Democrática (PCD) e Partido Nossa Terra. Mas também de uma ala dissidente da ADI.

Nito d’Abreu, líder parlamentar da ADI, é o candidato oficial, apoiado pela fação leal ao presidente do partido, Patrice Trovoada, cujo Governo foi demitido em janeiro de 2025 pelo chefe de Estado, Carlos Vila Nova.

Tem o apoio de uma plataforma eleitoral que inclui também o Movimento de Cidadãos Independentes — Partido Socialista (MCI – Partido Socialista), Partido de Unidade Nacional (PUN) e Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP).

Eugénio Andrade é o mais veterano dos candidatos e um dos dois candidatos sem apoios partidários conhecidos. Foi vice-presidente da Assembleia Nacional e cofundador do Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM).

Miques João é o mais jovem dos candidatos, com 41 anos. Foi suspenso pela Ordem dos Advogados, após várias acusações não consubstanciadas feitas contra membros da classe política e judiciária.

Em maio de 2025 foi preso preventivamente após ser acusado de abuso sexual de uma menor — o que classificou de cabala política -, mas foi libertado em agosto do mesmo ano e aguarda agora o desenrolar do processo em liberdade. Volta a não contar com qualquer apoio partidário.

O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho, mas Jorge Bom Jesus anunciou a sua desistência, ainda que já fora do prazo legal.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.

Com Lusa

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