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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E HIV NOS ECRÃS DA TV SÃO-TOMENSE
Assim como Costa, todos os actores do filme não são profissionais. Segundo Afonso, conseguir financiamento é
a maior dificuldade em se fazer um filme em São Tomé e Príncipe. “A população não está habituada a ir ao cinema
aqui”, comenta. Há uma sala de projeções,
.
o Cinema Marcelo da Veiga, no centro da capital, São Tomé, mas desde
a sua reabilitação em 2001, o local nunca foi aberto para a exibição de filmes. “Vosso amor, meu sorriso” contou com
patrocínio do Centro Cultural da Aliança Francesa, e de vários empresários e indivíduos. O fogo do apagar da vida
Em Julho de 2002, Afonso lançou seu primeiro longa-metragem que teve como tema o tabu a cerca do HIV em São
Tomé e Príncipe. Para uma população de aproximadamente 140 mil pessoas, o arquipélago tem uma seroprevalência
de 1.5 por cento, segundo dados do Programa Nacional de Luta contra a Sida (PNLS).
“Havia muito silencio e queríamos dizer ao público que Sida também está aqui entre nós”, diz Afonso ao PlusNews.
“Imprudência, o fogo do apagar da vida” narra a história de Katia (Celina Lima), uma jovem mãe que abandona
os estudos para vender sexo nas discotecas e acabou por se infectar com o HIV. O filme teve uma influência tão
directa que muitas pessoas associaram a vida dos personagens com a real dos actores.
Celina Lima, actualmente em Cuba a estudar, foi chamada por muitos de prostituta e de seropositiva, e alguns
familiares a acusaram de manchar o nome da família, diz Celmira Fernandes, que também participou da
longa-metragem. O mesmo
aconteceu com Afonso, quem no filme faz o papel de um cliente da Katia que foi infectado pelo HIV por não ter
usado o preservativo. “Nas ruas, ouvíamos más coisas, palavras insultuosas”, lembra. Afonso explica os
são-tomenses têm dificuldade para separar a ficção da realidade, por falta de hábito de ir ao cinema.
Antiretrovirais amigos. Segundo Fernandes, muitos são-tomenses pediram um outro filme contra a descriminação
dos seropositivos. Depois do filme, “as pessoas começaram pensar mais na prevenção”, acredita Afonso. Em 2005,
o cineasta foi convidado pelo PNLS para realizar uma dramatização sobre os antiretrovirais. O vídeo de 30 minutos
“Antiretroviral, um amigo” destinava-se a sensibilizar a população sobre os benefícios do tratamento antiretroviral,
pois segundo Afonso, “ter o HIV não significa vida acabada.” Os dois filmes sobre a temática da Sida são
regularmente transmitidos na Televisão São-tomense.
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