
JORNAL TROPICAL
GOVERNO SÃO-TOMENSE INSTA PAIS A CO-PARTICIPAR NO PAGAMENTO DE BOLSAS
27-09-2007 -
O Governo são-tomense exortou
terça-feira os pais e encarregados de educação de centenas de jovens a
cursar no
exterior
a co-participar no pagamento das bolsas de estudo atribuídas pelo Estado
como forma de evitar penúrias, soube-se quarta-feira de fonte oficial em São
Tomé.
De acordo com a ministra da Educação e Cultura, Fátima Almeida, o Governo do
arquipélago não conseguirá dar resposta à demanda, uma vez que o Estado
carece de recursos suficientes para custear o elevado valor das bolsas de
estudo atribuídas aos instruendos.
"Nós temos uma grande contradição entre a política que foi traçada e a nossa
realidade financeira. O valor das bolsas é muito grande para a nossa
realidade, pois temos muitos estudantes no exterior, o que torna a política
insustentável. São cerca de três milhões de euros que temos que desembolsar
e neste momento não o temos", declarou.
Fátima Almeida defende que cada pai e encarregado de educação deve
envolver-se como forma de ajudar o Executivo a ultrapassar o problema do
pagamento das bolsas que já levam seis meses de atraso.
"Acho que todo e qualquer encarregado de educação deve contribuir. O Estado
deu um sinal. Neste ano já enviamos três transferências para os estudantes.
Acho que estando nesta situação os pais têm também que nos ajudar e
contribuir", advogou.
O Governo vai reunir em breve os encarregados de educação para explicar a
situação actual dos cofres do Estado e convidá-los a enviar dinheiro para os
seus filhos porque, declarou, nem sempre o Governo conseguirá cumprir com os
seus compromissos a tempo.
"Vamos aliviar o atraso das bolsas. Neste momento tenho todo processo nas
Finanças a espera de procedimentos administrativos. Temos que ver que há
todo um processo cambial a ser realizado. Todos os países estão atrasados há
seis meses, isto é, Marrocos, Portugal, Brasil, Cuba, Moçambique, a situação
é preocupante".
Nos últimos tempos os estudantes bolseiros em Cuba, Brasil e Marrocos têm
feito chegar várias notas à imprensa a denunciar o atraso do Estado no
pagamento das bolsas e dizem estar a passar por penúria alimentar para além
de carecer de dinheiro para tratar da saúde e pagar os transportes para os
centros de ensino.
Desde 2003, o Estado são-tomense enviou centenas de jovens para estudar no
estrangeiro, visto que o país, com grandes défices de quadros especializados
nas mais diversas áreas, carecia de universidades.
PANA
OS GOVERNANTES DEVEM BUSCAR FORMAS PARA APOIAR AGRICULTORES E ESCOAR OS SEUS PRODUTOS
21-09-2007 - A missão dos camponeses devia ser produzir e a dos governantes encontrar mecanismos de escoamento para facilitar a vida dos que trabalham a terra para abastecer o mercado nacional e internacional.
Foram aquelas as palavras de um renomado agricultor santomense, Fernando Espírito Santo, de Bom Sucesso que, certamente, pelo nome do lugar onde opera deve ser já bem abençoado para o que da terra este médio empresário obtêm.
Fernando Espírito Santo quando falava a nossa redacção disse que está preocupado com o facto de muitas vezes haverem produtos da terra que suplantam as expectativas, muita horticultura e nada de espaço para comercialização, muita falta de mecanismos de escoamento e o poder de compra da população também não facilita.
Em épocas de grande produção, Fernando tem o tomate, o alface, o feijão, a batata doce, a batata inglesa, a cenoura, o repolho, o feijão verde, o feijão seco, o milho, o amendoim, a soja, couve, banana, o alho, a cebola, a mandioca e a matabala, entre outros.
Fernando Espírito tem apenas quatro trabalhadores directos e mais quatro a cinco indirectos numa produção que ocupa 10 hectares de terras em Bom Sucesso, terras de Monte Café, onde ele diz que pretende multiplicar a cultura de bananas de todas as variedades, mais de 20 variedades de tomate, entre elas as da terra – mulata em particular, o que precisa apenas é a forma de escoar.
Assim, Fernando diz que, se o Estado ajudar devidamente os agricultores, em breve estaremos a exportar os produtos hortícolas cultivados em São Tomé e Príncipe para o estrangeiro.
A batata inglesa, a batata doce e muitos outros produtos já não são novidades para os pequenos e médios agricultores santomenses. Há muita gente a trabalhar, embora também hajam os que ainda não se adaptaram devidamente a terra. Os tantos que já se encontram a produzir não poderão aumentar ainda a produção em toneladas necessárias pois falta resolver o problema do escoamento.
Em 2007, altura em que os produtores nacionais poderiam atingir o pico das produções, tudo foi controlado de maneira que o mercado não fosse saturado. Pode-se ver nos Mercados o grau de produtos hortícolas expostos. E o consumo interno não favorece, pois se atende também ao baixo poder de compra.
Faço o apelo aos nossos dirigentes que entrem em contacto com os pequenos e médios agricultores para que haja uma comparticipação e ajuda na resolução deste assunto, concluiu Fernando Santo, nosso privilegiado interlocutor.
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