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GOVERNO
COMPRA DEPUTADOS
22-06-2007
- Entrevista com Rafael Branco, presidente do MLSTP/PSD
Já Publicada no Diário de Notícias de 19/06/2007
Por Armando Rafael
Visto
à distância, São Tomé e Príncipe vive um período de estabilidade política. É
assim ?
Não. Continuamos a viver uma situação de instabilidade iminente, dado que
o Governo não dispõe de maioria no Parlamento, onde o Movimento
Democrático-Força da Mudança (MDFM) e o Partido da Convergência Democrática
(PCD) só dispõem de 23 dos 55 deputados.
Mas pode fazer acordos...
Mas, não faz... E nem sequer falo do Movimento para a Libertação de São
Tomé e Príncipe (MLSTP), que não quer ser Governo. Mas podiam ter feito um
acordo com a Acção Democrática Independente (ADI).
O que não sucedeu...
Porque têm podido solucionar os casos em que precisam de maioria. Com
acordos pontuais?
Não, não... Estou à procura da palavra mais correcta... Mas a única que
me ocorre é comprar. O Governo tem comprado os deputados que precisa para
fazer maioria.
O que é que impede o MLSTP e a ADI de
derrubarem o Governo?
Há percursos que devemos fazer. Se o MLSTP fosse Governo, esse governo já
tinha sido derrubado. Além disso, como presidente do MLSTP, creio que o
partido deve estar algum tempo na oposição e aproveitar para se renovar.
Que significado teve a presença de Fradique de Menezes no
congresso do MLSTP que o elegeu?
Há quem diga que o Presidente não se esqueceu do partido de que foi
dirigente... E ministro... Ministro, embaixador e pessoa de confiança para
certas missões...
Foi um gesto de reconciliação?
Infelizmente, não.
O que separa Governo e MLSTP?
O orçamento, por exemplo. O Governo prevê investimentos em
infra-estruturas que não são prioritárias. Há pouco dinheiro para o
saneamento básico, mas depois avança-se para a construção de um palácio de
convenções.
Há falta de planeamento?
Há. Nada foi feito para promover a saúde ou o atendimento básico que se
espera num país como o nosso, que tenciona transformar-se num centro de
turismo e de serviços.
Faz um balanço negativo da acção do Governo?
Bastante negativo. E com a
imprevisibilidade que caracteriza o Presidente, quer o MDFM, quer o PCD têm
a noção de que esta coligação é um casamento de conveniência.
Em que é que isso se traduz?
Na disputa de protagonismos entre ministros de um lado e do outro.
Que avaliação faz da actuação do primeiro-ministro Vera Cruz?
É uma pessoa por quem tenho respeito, que é sensata, bem formada, e que
tem boas intenções. Mas não é fácil coordenar aquela equipa...
Qual é a avaliação sobre o mandato de Fradique de Menezes?
Esperava mais. Podia ter juntado toda a gente em torno de um projecto e
não o fez. Como cidadão, sinto-me defraudado. Como político, fico
preocupado.
Se fosse governo quais seriam as suas três prioridades?
A primeira seria a educação. A seguir, a construção de infra-estruturas
direccionadas para o turismo e serviços. E, em terceiro lugar, a justiça.
Sem justiça não há investimentos, nem desenvolvimento económico. Se não há
garantias para os investidores, ninguém investe. O país vai começar a
receber dinheiro do petróleo em 2012... Essas contas estão mal feitas. O que
tínhamos a receber de bónus, já recebemos. E não podemos falar de receitas
de exploração antes de seis ou sete anos.
Quanto é o valor do rendimento anual estimado para receitas do fundo
petrolífero?
As estimativas mais realistas apontam para 120 milhões de dólares por ano
(o orçamento actual do país prevê receitas de 100 milhões de dólares).
| (Com as devidas vénias recebidas das mãos de um leitor
assíduo do Tropical).
João Soares
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