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QUE SILENCIO?

30-11-06O que é
preciso definir claramente, e desde já, é se o verdadeiro objectivo da nova
governação visa expor e dizer como vão as nossas finanças públicas, como por
exemplo dizer a data certa do salário dos trabalhadores da função pública.
O Governo tem que
resolver o processo da perca de documentos nos sectores públicos, o
incumprimento dos deveres na função pública, o aumento desordenado do
salário dos trabalhadores, a aplicação arbitrária do horário de serviço
público, a falta do respeito no atendimento e nas relações públicas, a
situação da casa dos trabalhadores, o estado de higiene na nossa praça, e
por aí fora. Por outro lado, o sinal das crescentes queixas dos maus
serviços de saúde pública prestados à população, os numerosos casos de
corrupção vindos ao lume, envolvendo altos responsáveis de empreendimentos
financiados pelo Estado, (as evitáveis derrapagens financeiras de que
hoje tanto se falam) e, estranhamente inadmissível que possa ser,
grandes falcatruas cometidas por funcionários, o mau funcionamento da
justiça, os incalculáveis gastos exorbitantes na compra de viaturas de luxo,
contrição de casas de luxo e extravagantes e impunes.
Enquanto se continuam a
fazer vista grossa à áreas prioritárias da vida nacional, profundamente
afundadas no desamparo económico, assiste-se a todo este festival de
extravagancia financeira espectáculo que contribui muito para desequilibro
orçamental dos são-tomenses, as advertências continuam a cair em saco roto
embora as consequenciais dessa teimosa “surdez” se vão tornando por demais
evidentes. Que silêncio? Todos esses factores criaram-nos diversos membros
do executivo uma forma estranha de impotência que depressa os transformam em
comprometidos gestores de uma profunda crise prolongada. Mas, ainda que
anunciada, aos poucos, a suas intervenções públicas passaram a ser marcadas
por algo que caca vez mais se parece com justificações esfarrapadas,
intervenções incompressíveis onde não se advinham quaisquer sinais
semelhantes à tomada de medidas conducentes com soluções da crise profunda
que se vai perigosamente instalando. Em suma, de degrau em degrau São Tomé e
Príncipe, foi nos últimos tempos, cavando uma crise profunda que se torna
cada vez mais difícil de sanear devido ao exagero despotismo da máquina
estatal e cada vez mais notória incapacidade dos governantes para inverter a
situação. Para “inventar” um plano que tivesse em vista o controlo das
desenfreadas contas públicas a construção de uma sociedade socialmente mais
justa e a reconquista do respeito para com os doadores internacionais, é
preciso ter têmporas e amor à Pátria, bem como o respeito que começa pelo
mais fracos e desamparados. Algo que se encontra a desvanecer-se
aceleradamente é o respeito pelo povo que os elege. E é esse o novo Governo
que nos promete, agora, a tão desejada recuperação económica e a solução de
tantos e tantos problemas e carências de que enfermam São Tomé e príncipe. A
ver vamos.
Octávio
Soares |
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