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Fradique de Menezes quer intervenção do exército na economia 07-09-2009 - O presidente são-tomense apelou hoje ao governo para a implementação de uma proposta que permite uma “intervenção dos militares na economia” do arquipélago.
Há um ano, Fradique de Menezes lançou o que chamou de conceito de “defesa na economia” que, “principalmente na vertente que admite uma intervenção dos militares na economia”, assegura “a realização de projectos estruturantes para o desenvolvimento económico do país”.
“A protecção da nossa zona económica exclusiva, a protecção dos nossos recursos ambientais, a segurança no futuro porto das águas profundas e por que não, também, no futuro aeroporto e na futura zona franca, são alguns dos projectos estruturantes onde se pode exercitar por parte das forças armadas um redobrado envolvimento na economia”, disse Fradique de Menezes.
O chefe de estado são-tomense, também comandante supremo das Forças Armadas (FA), lançou suspeição sobre uma eventual tentativa de partidarização das forças armadas por parte de algumas forças políticas cujo nome não mencionou.
“As forças armadas deverão reeditar a postura apartidária legal e constitucional que têm demonstrado nos diversos pleitos eleitorais” disse hoje Fradique de Menezes na comemoração do 33º aniversário das forças armadas são-tomenses.
“Quando nos aproximamos dos pleitos eleitorais começam a ser notórios os sinais de movimentações políticas por parte dos diversos partidos políticos”, acrescentou o comandante supremo das FA, que considera “oportuno actualizar este compromisso solene das Forças Armadas com o estado e a nação são-tomense, o compromisso da sua despolitização e do seu apartidarismo”.
No discurso que era aguardado como um misto da comemoração do 6 de Setembro, dia das Forças Armadas, e balanço do terceiro ano do seu segundo mandato, o chefe de estado limitou-se a abordar a situação militar, aproveitando a oportunidade para criticar duramente alguns actos praticados por militares.
Disse ser necessário colocar “pôr ponto final” ao que considerou “espectáculo deprimente e nocivo resultante de agressões gratuitas e de lutas entre militares e policiais”, e alertou para “as responsabilidades das chefias militares e da polícia nacional para que, de uma vez por todas, façam cessar, através de instrumentos disciplinares internos, estes injustificados e humilhantes confrontos”, acrescentou.
Afirma que se sente “repugnado” com estes “tristes episódios” e considera também “inconcebível” que militares, “alguns até patenteados” estejam envolvidos “no processo de extracção ilegal da areia e de protecção aos malfeitores no corte ilegal de madeira”.
“A continuação de comportamentos como esses atenta contra a subsistência da instituição militar. Têm que ser tomadas medidas urgentes por parte das chefias militares e por parte do governo para serem exemplarmente sancionados os responsáveis destes actos” adverte o presidente da república.
Reconhece que “os feitos e valores sobre os quais assentamos os pilares da construção da nação estão a ser desvalorizados” defendendo que os militares devem “renovar os compromissos das FA com a nação são-tomense”. |