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POLIGAMIA,
PROMISCUIDADE E MACHISMO
Profissionais de saúde de São Tomé estão preocupados com certos
comportamentos sexuais dos
habitantes do arquipélago, o que, segundo eles, pode disseminar a Sida. Ele
teve três esposas. Eu acho que os seus três outros filhos que nasceram no
mesmo ano que os meus também são seropositivos”, conta Paula (nome
fictício). Esta são-tomense, que sabia que o seu marido tinha outras
parceiras, ficou grávida e descobriu depois de dar à luz que ela e o seu
filho estavam infectados pelo HIV. A poligamia é quase oficial. É normal e
aceitável que um homem tenha três esposas”, afirma ao PlusNews a médica e
coordenadora do Programa Nacional de Combate à Sida, Alzira do Rosário. Com
aproximadamente 160 mil habitantes, São Tomé e Príncipe tem uma taxa de
seroprevalência de 1.5 por cento, segundo estatísticas do governo. A
coordenadora da organização não governamental Médicos do Mundo, Manuela
Castro, ressalta que algumas tradições sexuais aumentam a vulnerabilidade ao
HIV no país.
“Existe a ideia de que para ser homem é preciso ter muitas mulheres”,
exemplifica.
Quase a metade dos jovens e adolescentes começam a vida sexual entre 11 e 15
anos,
segundo
um estudo de conhecimentos, atitudes e práticas (CAP) sobre a saúde sexual
e
reprodutiva, citado no Plano Estratégico Nacional de Luta contra o HIV/Sida
(2004-2008).
“Um
jovem que completa 20 anos sem ter se casado é considerado inferior. Não
é
um homem de verdade”, conta Castro.
“E os casados podem ter muitas parceiras”, acrescenta. A ponta do iceberg.
Mas começar a actividade sexual muito jovem e ter muitos parceiros sexuais é só a
em termos dos riscos que isso representa para a saúde dos são-tomenses.
O estudo CAP revela que o fraco poder das mulheres em exigir o uso do preservativo com os
seus parceiros aumenta o risco de infecção. “Ainda existem muitos tabus, o que é um
“As pessoas sabem que a única maneira de prevenir a transmissão é usar preservativos.
que as pessoas mudem de comportamento é um grande desafio para nós, ainda vai levar
acrescenta. Por causa do grande estigma associado ao HIV e ao facto de se viver com o
seguro e o HIV ainda são temas delicados nas conversas. “Eu não quero ter um namorado.
É melhor assim”, diz Paula, que usou camisinhas com o seu ex-namorado até que ele ouviu
que ela era seropositiva e eles se separaram. “Ele vai acabar querendo ter sexo sem
ele vai querer ter filhos”, completa ela.
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