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CPLP lamenta morte de
presidente da Guiné
O presidente
guineense, Malam Bacai Sanhá, «desaparece num momento um bocado
conturbado da política na Guiné», lamentou hoje o secretário
executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP),
acreditando, porém, que o povo saberá respeitar o seu «legado»,
noticia a Lusa.
Malam Bacai Sanhá, que morreu hoje, num hospital em Paris
(França), após doença prolongada, «deixa um legado de sempre ter
dado o seu melhor na tentativa de encontrar os consensos
internos necessários à preservação da paz e ao desenvolvimento
do país», disse, em declarações à agência Lusa, o também
guineense Domingos Simões Pereira.
«Quero acreditar que o povo guineense (...) vai querer e saber
honrar esta memória e alimentá-la com o respeito pela ordem
interna e a aplicação das leis no processo da sua sucessão»,
acrescentou o responsável da CPLP, que já falou com os
embaixadores dos Estados-membros da organização, que vão
reunir-se «muito brevemente para definir como acompanhar» a
situação na Guiné.
«Perdemos um contribuinte fundamental do processo» de reforma no
sector da defesa e da segurança em curso na Guiné-Bissau,
reconheceu Domingos Simões Pereira.
«Com certeza» que a reforma do sector de defesa e segurança será
para continuar, pois «é uma necessidade que está na mente de
todos os guineenses», garante.
«Todos reconhecemos que o papel, a dimensão, a estrutura das
Forças Armadas têm de ser equilibradas e ajustadas a outros
objectivos e a outros propósitos», frisou, esperando que a morte
de Sanhá não desacelere o processo, embora seja «algo que as
autoridades guineenses vão avaliar».
«Aquilo que ouvi da parte do senhor primeiro-ministro
[guineense, Carlos Gomes Júnior], muito recentemente, é de que
já há condições para se avançar e, portanto, espero que não haja
grandes recuos nesse processo», adiantou Domingos Simões
Pereira.
«Se já há algum tempo que a Guiné-Bissau respirava alguma
tranquilidade, Malam Bacai Sanhá teve muito a ver com esse
ambiente de tranquilidade, [dada] a sua capacidade de dialogar
com todas as parte», destacou.
Porém, o secretário executivo da CPLP acredita que a tentativa
de golpe de Estado registada a 26 de Dezembro de 2011 e «todos
os [acontecimentos semelhantes] (...) precedentes prepararam as
partes para o necessário consenso neste momento», embora admita
que «será sempre difícil».
Acredita também na «capacidade de resposta» dos guineenses para
«ultrapassar as barreiras», apesar de que «perder um Presidente
da República no meio do seu mandato é algo que nenhum povo
merece, porque traz sempre uma situação não prevista à partida».
TVI 24
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