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GREENPEACE APELA A
GOVERNO PARA REJEITAR CAÇA À BALEIA
23-08-2007 - A organização
ambientalista internacional Greenpeace escreveu na quinta-feira à ministra
das Pescas
são-tomense,
apelando a que rejeite a caça à baleia nas águas do arquipélago.
A carta, disse Sarah Holden, coordenadora da campanha da Greenpeace contra a
caça à baleia, foi enviada na tentativa de fazer mudar de ideias a ministra
Cristina Dias, que na semana passada considerou "interessante" uma proposta
do Japão para abrir as águas territoriais do arquipélago à prática, com fins
comerciais.
"Estamos surpreendidos [com o projecto]; a caça à baleia com fins comerciais
está banida em todo o mundo; estarão a furar as disposições existentes",
disse por telefone à Lusa Sarah Burton, no Reino Unido.
A actividade, lembrou, é vedada pela moratória de 1982 acordada ao abrigo da
Convenção Internacional, e também o comércio é restringido pela Convenção
Internacional sobre Comércio de Espécies Protegidas; apenas a caça com fins
científicos ou de subsistência é autorizada.
O mesmo salientou à Lusa Nicky Grandy, do secretariado da Comissão
Internacional para a Caça à Baleia (IWC, na sigla inglesa), que adiantou que
apenas três países - Noruega, Islândia e Rússia - não estão obrigados à
mesma, por a terem rejeitado.
A mesma responsável declinou comentar o projecto japonês em São Tomé, por
considerar não dispor de informação suficiente sobre o mesmo.
Na semana passada, a ministra das Pescas são-tomense, Cristina Dias,
considerou "interessante" a proposta japonesa, salientando que a aceitação
da mesma estaria condicionada a estudos económicos e ambientais, bem como à
adesão à IWC.
A contrapartida à autorização da caça comercial nas suas águas seria a
criação de postos de trabalho e uma compensação financeira, adiantou, no
final de uma conferência sobre pescas no arquipélago.
Segundo relato da imprensa são-tomense, a conferência contou com a
participação de uma delegação japonesa, chefiada pelo parlamentar Tadahiko
Ito, que entregou ao presidente são-tomense, Fradique de Menezes, um convite
para participar na cimeira Japão-África, em 2008.
O Japão é um dos principais parceiros de São Tomé nas Pescas; há cerca de um
mês disponibilizou 6,9 milhões de dólares para o desenvolvimento do sector.
Sarah Burton, da Greenpeace, descortina no projecto japonês também a
intenção de alcançar o "quorum" necessário a revogar a moratória da IWC, o
que só pode ser feito com dois terços dos votos dos países-membros.
Nas últimas votações sobre o assunto têm surgido do lado do Japão países
africanos recém-entrados, como poderá ser o caso de São Tomé em breve.
A responsável da organização ambientalista salienta ainda que a decisão de
avançar com o projecto pode criar a São Tomé e Príncipe embaraços
diplomáticos com alguns parceiros importantes, num momento delicado do seu
desenvolvimento.
"É interessante que um dos principais parceiros comerciais de São Tomé é a
Holanda, que se opõe de maneira firme [à caça à baleia]. Tenho a certeza de
que não ficariam nada felizes com esse projecto", disse Burton à Lusa.
Além disso, adianta, "São Tomé está interessado em afirmar-se globalmente e
desenvolver o turismo, e a observação de baleias é uma actividade muito
apelativa. Não faria sentido acabar com as baleias nesta altura. Não sei se
a caça é viável ali, mas tenho certeza que a observação é, e muito, além de
ser uma actividade sustentável".
"São Tomé tem muito mais a ganhar em não fazer [a caça à baleia] do que
fazê-lo", sentencia a coordenadora da Greenpeace.
Por: Aquiles Barbosa Pequeno
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