Filho de Khadafi
será julgado na
Líbia
O procurador do
Tribunal Penal
Internacional,
Luis
Moreno-Ocampo,
admitiu que o
filho de Khadafi,
Saif al-Islam,
possa ser
julgado na Líbia
e não no TPI,
que o acusa de
crimes contra a
Humanidade. Na
Líbia, o filho
de Khadafi
enfrenta uma
possível pena de
morte.
No entanto,
Moreno-Ocampo,
que visitava
Trípoli, disse
que Saif
al-Islam só
poderia ser
julgado na Líbia
se as
autoridades
cumprissem os
padrões do TPI.
“Saif foi aqui
capturado, por
isso estamos
aqui para
assegurar
cooperação”.
Mas “em Maio,
pedimos um
mandado de
captura porque
os líbios não
podiam fazer
justiça na
Líbia”,
explicou. “Agora
se os líbios
quiserem fazer
justiça, podem
fazê-lo e nós
vamos
ajudá-los.” “A
lei diz que há a
primazia do
sistema
nacional. Se
apresentarem um
caso aqui,
discutiremos
como informar os
juízes e como
isto pode ser
feito. Mas os
nossos juízes
têm de estar
envolvidos”,
disse Ocampo. O
responsável não
esclareceu no
entanto a
questão do
castigo máximo a
aplicar, que no
caso do TPI é a
prisão perpétua,
e no caso dos
tribunais líbios
é a pena de
morte.
Saif al-Islam
foi capturado
numa região
montanhosa
quando tentaria
fugir para o
Níger. O seu
pai, Muammar
Khadafi, foi
morto no final
de Outubro em
Sirte.
A Líbia é
obrigada, por
uma resolução do
Conselho de
Segurança da
ONU, a cooperar
com o TPI, mas
essa obrigação
não exclui
necessariamente
um julgamento na
Líbia. Se o
Conselho
Nacional de
Transição
conseguir
convencer os
juízes em Haia
que o país tem
um sistema legal
que funcione e
que consiga um
julgamento justo
com
sensivelmente as
mesmas acusações
que o TPI, então
o filho de
Khadafi pode ser
julgado na
Líbia.
Mas para já,
três meses
depois da queda
do regime de
Khadafi e um mês
depois da sua
morte, a Líbia
ainda tenta
construir novas
instituições, e
isso inclui um
sistema legal.
As autoridades
líbias têm
repetido que não
entregarão Saif
al-Islam ao TPI
e um responsável
disse à Reuters
que já estavam a
ser dados passos
para que fosse
acusado.
No entanto, o
Comité
Internacional da
Cruz Vermelha (CICV)
pediu às
autoridades
líbias para ter
acesso a Saif
al-Islam, filho
do antigo líder
Muammar Khadafi,
enquanto a
altacomissária
da ONU para os
Direitos
Humanos, Navi
Pillay, apelou
para que Saif
al-Islam, detido
no sábado, fosse
tratado com
humanidade.
O director-geral
do CICV, Yves
Daccord, afirmou
que a
organização
espera poder
visitar em breve
o filho de
Khadafi,
acrescentando
que se trata “de
uma pessoa que
deve ser
protegida”. A
Cruz Vermelha,
sublinhou, não
pediu acesso
apenas a Saif
al-Islam mas “a
todos os detidos
na Líbia”. A
alta-comissária
para os direitos
humanos Navi
Pillay
mencionou, pelo
seu lado, o
antigo
responsável
pelos serviços
secretos líbios,
Abdallah
al-Senoussi, a
par do filho de
Khadafi. “As
autoridades
líbias devem,
dando seguimento
aos anúncios
públicos,
assegurar-se de
que Saif
al-Islaem e
Abdallah
al-Senoussi
beneficiam de
condições de
detenção
humanas”, disse.
O Conselho
Nacional de
Transição (CNT)
líbio insiste em
julgar no país o
filho de Khadafi
e não o entregar
ao Tribunal
Penal
Internacional,
com sede em
Haia.
A captura e
morte do próprio
Muammar Khadafi,
em Outubro,
levou a que
activistas de
direitos humanos
questionassem a
capacidade dos
novos líderes
líbios
assegurarem o
tratamento
humano dos
suspeitos de
abusos do
anterior regime.