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Eleições em São Tomé. Movimento Basta quer acabar com

 "ódio e rancor" na política

Terceira via para contrariar tendência de bipolarização política são-tomense quer transformar país num lugar onde "não há discriminação, perseguição, rancor e ódio". Admite coligações pós-eleitorais.

No seu manifesto eleitoral, o Basta aponta o "turismo como a locomotiva que possa galvanizar todas as áreas e políticas económicas, sociais e culturais e que possa contribuir para o desenvolvimento sustentável de São Tomé e Príncipe"

O coordenador do movimento Basta, que concorre às eleições legislativas de São Tomé e Príncipe no próximo domingo, afirmou querer unir os são-tomenses para acabar com “o rancor e ódio” e identificou o turismo como “a locomotiva” do país.

O movimento, lançado em junho, pretende ser uma “terceira via” para contrariar a tendência de bipolarização da cena política são-tomense entre Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD, no poder) e Ação Democrática Independente (ADI, na oposição).

Integra elementos do Partido de Convergência Democrática (PCD, que faz parte da maioria atualmente no poder), nomeadamente o presidente do parlamento, Delfim Neves, e da ADI — o coordenador nacional do movimento, Salvador dos Ramos, foi ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Patrice Trovoada (ADI).

Nós temos dito, desde o primeiro dia, que viemos para unir, congregar as forças de modo a que possamos ter um São Tomé e Príncipe para todos. Queremos unir todos os são-tomenses que estão interessados na transformação de São Tomé e Príncipe num país diferente, num país onde não há discriminação, não há perseguição, não há rancor e ódio”, disse à Lusa o dirigente, à margem de uma ação de campanha do movimento na cidade de Neves, distrito de Lembá, norte da ilha de São Tomé.

Na opinião do coordenador nacional, “as pessoas que pertencem a diferentes partidos não se entendem, sobretudo ao nível das cúpulas desses partidos, e isso tem causado um grave problema à sociedade, tem dividido os são-tomenses, provocou o atraso de São Tomé e Príncipe”.

O movimento desafiou todas as forças políticas nacionais a sentarem-se à mesa para discutir “os principais problemas que o país conhece de modo a que o país possa conhecer um rumo”.

No seu manifesto eleitoral, o Basta aponta o “turismo como a locomotiva que possa galvanizar todas as áreas e políticas económicas, sociais e culturais e que possa contribuir para o desenvolvimento sustentável de São Tomé e Príncipe”.

Questionado se admite coligações pós-eleitorais, Salvador dos Ramos reiterou: “Nós somos um movimento aberto a todos e por isso estamos disponíveis a conversar com todos os que estejam interessados em trabalhar em comunhão, em irmandade, para que São Tomé e Príncipe possa conhecer um desenvolvimento diferente”.

Não faz sentido nós continuarmos divididos como estamos. Já se já se passaram 47 anos e o país precisa dar saltos qualitativos”, defendeu.

Adiantou que o Basta ainda não falou com nenhum dos restantes 10 partidos e movimentos que concorrem às legislativas, mas salientou que a mensagem “passou”.

Nós vimos recentemente alguns atores políticos a falarem na unidade nacional, a falarem na necessidade de congregarmos as forças”, referiu.

Questionado sobre a eventual participação na campanha de Delfim Neves, um dos grandes impulsionadores deste movimento e terceiro classificado nas eleições presidenciais do ano passado, com quase 15 mil votos, Salvador dos Ramos recordou que o presidente da Assembleia Nacional é cabeça-de-lista pelo distrito de Lobata (norte) e “provavelmente estará nalguma das ações”, quando restam três dias de campanha eleitoral.

A caravana do Basta percorreu esta terça-feira a pé algumas ruas de Neves, encabeçada por camiões que debitavam músicas e slogans, e seguida por algumas centenas de simpatizantes, que usavam t-shirts azuis onde se lê “a nossa esperança”.

Alguns populares aproximavam-se de Salvador dos Ramos a pedir mais t-shirts ou a mostrar os chinelos rebentados e a reclamar um par novo.

Neves é uma zona muito rica do nosso país. Tem mar, tem agricultura, tem pesca, tem indústria. Queremos fazer diferente para que a população possa beneficiar”, disse.

Lusa