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São Tomé/Eleições: Cenário político está bipolarizado entre

 MLSTP e ADI

O sociólogo são-tomense Olívio Diogo antecipou hoje que as eleições legislativas do próximo domingo, a que concorrem 11 movimentos, será bipolarizada entre o MLSTP, atualmente no Governo, e a ADI, do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada

“Ocenário que temos é que o cenário político está bipolarizado. (…) Neste momento, a disputa certa será entre o Jorge Bom Jesus, atual primeiro-ministro e líder do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata [MLSTP/PSD] e a Ação Democrática Independente [ADI] e seu Patrice Trovoada, que acaba de chegar ao país”, comentou à Lusa, em São Tomé.

Um cenário que, para o analista, é surpreendente, após a formação do movimento Basta, que se pretendia afirmar como “a terceira via”. Uma das suas figuras mais destacadas é o presidente da Assembleia Nacional, Delfim Neves, que nas eleições presidenciais do ano passado ficou em terceiro lugar, com quase 15 mil votos — resultados que contestou, alegando ter havido fraude eleitoral.

“Por mais estranho que pareça, até agora Delfim Neves não apareceu na campanha. Não se sabe qual é a estratégia e este facto também, no meu entender, está a contribuir muito para que haja esta bipolarização”, referiu.

Na semana passada, o coordenador do Basta, Salvador dos Ramos (ex-ministro da ADI), afirmou que o movimento não definiu um candidato a primeiro-ministro e que, caso vença as eleições legislativas, o futuro chefe de Governo seria decidido nesse momento, o que, considerou Olívio Diogo, “baralha significativamente o eleitorado que pensava votar neste movimento”.

Por outro lado, apontou “um erro” que o movimento está a cometer, na sua perspetiva, ao “dispensar todo o capital” que Delfim Neves conquistou nas eleições de há um ano.

Com a chegada do antigo primeiro-ministro (2014-2018) Patrice Trovoada ao país este domingo, após quatro anos de ausência do país, “talvez Delfim Neves se sinta motivado para vir dar o suporte necessário que o movimento Basta precisa”.

Sobre o regresso de Trovoada, que no domingo realizou um comício perante milhares de apoiantes na capital são-tomense, o sociólogo considerou que a figura do líder da ADI já marcava a campanha eleitoral.

No entanto, salvaguardou: “É preciso ser claro que o resultado destas eleições para a ADI tem um cenário com Patrice Trovoada e sem Patrice Trovoada e a diferença é abismal”.

Os partidos que formam a chamada ‘nova maioria’, no poder, (MLSTP e coligação PCD/UDD/MDFM) e que agora partem para as legislativas sem acordo eleitoral, “sabem que com a chegada de Patrice Trovoada há uma mudança total de paradigma, porque ele conseguiu, ao longo do tempo, granjear um grupo de simpatizantes que são mais do Patrice Trovada do que propriamente da ADI”.

Olívio Diogo alertou, no entanto, para o risco de o líder da ADI assinar, nesta corrida, a sua morte política.

Patrice Trovoada “é perentório em dizer que se a ADI não vencer estas eleições com maioria absoluta, não vai governar”.

“Isto é mais do que chantagem, é uma pessoa que tem autoridade sobre as outras e que faz uso dessa autoridade. E diz que se a ADI não fizer a maioria absoluta, cabe à ADI fazer aquilo que quiser. Isso é a forma como Patrice Trovoada lida com o seu eleitorado, mas feliz ou infelizmente, ele pode dizer tudo isso, pode colocar as coisas da forma como coloca, e um grande leque da população continua disponível” para votar nele, considerou.

“Continua a ser um herói, mas não sei quanto tempo é que isso ainda vai durar”, disse.

Por outro lado, o líder do MLSTP e atual chefe do executivo, Jorge Bom Jesus, “despertou tarde para fazer toda a intervenção eleitoralista, deixou para este último ano todas as ações do Governo e só agora é que vai ao encontro da população”.

“Se Jorge Bom Jesus tivesse tido esta intervenção durante os quatro anos do seu mandato, hoje era com certeza que ia vencer as eleições”, declarou o analista.

Bom Jesus, que tem anunciado novas obras nas últimas semanas, com o lema ’tá a falar, tá a fazer’, “está a dizer que, se ele tiver a continuidade governativa, vai dar continuidade a essas ações”.

“A questão é que o eleitorado pode não ter essa leitura. Pode pensar que realmente, durante os quatro anos, Jorge Bom Jesus não fez muito do que devia ter feito”, avaliou.

Além disso, Olívio Diogo considerou que a coligação Movimento de Cidadãos Independentes/Partido Socialista/Partido da Unidade Nacional – que reúne o movimento de cidadãos pelo distrito de Caué, que em 2018 elegeu dois deputados, e candidatos da ilha do Príncipe que querem uma eleição direta para o parlamento nacional — poderá eleger três ou quatro deputados e “realmente ter uma palavra a dizer na questão de não haver uma maioria absoluta”.

O especialista afirmou-se ainda preocupado com outras eventuais “mortes políticas”, nomeadamente de dois partidos históricos, União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD) e Movimento Democrático Força da Mudança/União Liberal (MDFM/UL), que em 2018 concorreram coligados com o Partido de Convergência Democrática (PCD) e elegeram cinco deputados, mas que agora terão de avaliar o seu peso eleitoral sozinhos.

No dia 25, também o governo regional do Príncipe vai a votos, concorrendo a União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), liderado pelo atual presidente, Filipe Nascimento, e a coligação Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP) e MLSTP/PSD, encabeçada por Nestor Umbelina.

Os 123.302 eleitores são-tomenses são ainda chamados a escolher os presidentes das autarquias. Lusa