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Campanha de reconhecimento histórico
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE /BIAFRA
09-05-2007
40º Aniversário do conflito de Biafra e da ponte aérea humanitária dês de
São Tomé.
Os
restos dos
Loockhead Constellation
da CANAIRELIEF no aeroporto de São Tomé, poderiam constituír
um magnífico monumento à
ajuda humanitária
Há 40 anos, a 30 de Maio de 1967, proclamou-se a
República de Biafra,
separando-se da Nigéria com as convulsões políticas e matanças
indiscriminadas que seguiram aos primeiros anos daquela Federação. Essa
proclamação foi o detonante de uma das guerras mais sangrentas que nunca se
tinha visto no mundo : Guerra de Biafra. Foi um dos maiores genocídios que
incluiu a mais terrível das fomes: mais de 1.500.000 civis, a maior parte
crianças, sucumbiram ao drama.
Desde Julho de 1968 até Janeiro de 1970, a
Joint Churches Aid
(Ajuda Conjunta das Igrejas) organizou desde São Tomé uma ponte aérea
humanitária que, graças a perícia dos pilotos de diferentes nacionalidades
em perigosos voos nocturnos, burlando a artilharia nigeriana, abasteceu no
mais básico aos assediados biafrenses. Os aviões da JCA, fizeram inumeráveis
viagens (os faziam várias vezes ao longo da noite) e participaram na
evacuação da população indefesa onde o genocídio era certo.
Os coordenadores do JCA, as autoridades da Ilha de São Tomé e a população
civil empenharam-se a fundo no operativo da ajuda humanitária, com feitos
heróicos (ou simplesmente humanos) que foram gravados na mente das pessoas
que viveram esse momento; mesmo na recordação, nas lendas e no imaginário
popular. O porto e o aeroporto de São Tomé registraram uma actividade tão
intensa como nunca tinha acontecido até lá;
O seu mercado encheu-se de cooperantes, religiosos, médicos legistas e
militares…, mas também de aventureiros, mercenários, contrabandistas e
especuladores vindos dos lugares mais remotos do planeta. São Tomé
converteu-se naquela altura em um
"hub"
de apoio internacional e o seu nome passou outra vez a pôr-se no mapa
mundial. Nessa altura, como a capital da humanidade mais sentida que lutava
contra o exercício da violência mais brutal e a irracionalidade.
Na actualidade os restos de dois dos aviões utilizados nessa ponte
humanitária, dois abandonados às inclemências do clima, desde o fim da
guerra, são os testemunhos silenciosos desse episódio, quase esquecido, da
história contemporânea de São Tomé e Príncipe, e, da África Ocidental.
Uma
iniciativa popular internacional
Os membros da
Associação Caué, Amigos de São Tomé e Príncipe,
acharam por trazer a recordação um assunto que tantos anos se cumprir e essa
função de recordatório na memória local, de última evidência, é preciso para
o país. Reconhecer esses aviões como património da História de São Tomé e
Príncipe e da História Universal, como monumento à ajuda humanitária e como
homenagem a todas essas pessoas que, profissionalmente como voluntários,
participaram em mitigar o sofrimento do povo do Biafra.
Apelamos aos santomenses e amigos de São Tomé e Príncipe, às instituições,
às entidades, as ONGs, empresas, etc. aos cidadãos do mundo, a lembrar por
escrito ou em voz alta aquela história, através do nosso
GRUPO STP ou
através dos meios de comunicação convencionais e expressar assim as suas
vivências, experiências, memórias e opiniões sobre este tema.
E também a juntar-se ao pedido do Governo da República Democrática de São
Tomé e Príncipe a consideração dos restos das duas aeronaves como como
monumento nacional e, portanto, o reconhecimento da sua preservação para a
memória histórica.
Associação CAUÉ – Amigos de São Tomé e Príncipe
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