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SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
ADORMEÇA O VÍRUS... E A PREVENÇÃO COM ELE
 04-10-2007- Dorviro-Sida: Adormeça o HIV. Este o nome da nova erva medicinal anti-Sida produzida por Amâncio 
Valentim, presidente da Associação da Medicina Tradicional em São Tomé e Príncipe, o minúsculo 
arquipélago na costa do Gabão. Três colheres de mesa do xarope acastanhado tomado todos os 
dias antes das refeições reduzirá a carga viral e fará com que os doentes se sintam melhor, diz ele. 
 
 "A Sida não tem cura e eu não tenho prova científica de que o meu medicamento cura a Sida", 
Valentim apressa-se a explicar. "Mas os quatro pacientes seropositivos que o tomaram por quatro 
anos agora testaram negativos." Contudo, ele não pode mostrar nenhum teste, nem os pacientes, 
por causa da confidencialidade. Valentim apresentou seu medicamento - fruto de doze anos de 
pesquisa, segundo ele num evento nos Arquivos Históricos Nacionais, na capital, São Tomé, 
durante as celebrações do Dia Mundial da Medicina Tradicional no final de Agosto. 
Transmitida na rádio e na TV, a notícia espalhou-se como fogo em palha entre os aproximadamente 160 mil habitantes 
das ilhas. 
 Duas semanas mais tarde, durante encontros de sensibilização para a Sida organizados pela organização 
não-governamental portuguesa Médicos do Mundo em cinco aldeias ao longo da costa  oeste da capital, 
choveram perguntas sobre o Dorviro-Sida: "É verdade que existe uma cura para a Sida?" 
 
 Em Guadalupe, 30 quilómetros ao interior da ilha, 28 activistas da Associação São-Tomense para o 
Planeamento Familiar (ASPAF) fazendo sensibilização porta-a-porta sobre a Sida ouviram de muitos
residentes locais que a Sida já não  é problema porque existe uma cura. "Eles ouviram isso na TV, 
portanto  verdade, e somos nós que não aceitamos a medicina tradicional", diz Amado Vaz, director 
executivo da ASPAF. Complacência e confusão são perigosas. 
 
A seroprevalência no país  baixa - menos de dois por cento -, mas activistas temem que a Dorviro-Sida 
causará complacência e enfraquecerá a prevenção no arquipélago. Conhecimento adequado da doença também é raro. 
 "Isto complica nosso trabalho", diz Alzira do Rosário, chefe do Programa Nacional para a Luta Contra 
a Sida (PNLS). "Com esta notícia, as pessoas podem relaxar em relação a prevenção e pensar que a solução 
 a medicina tradicional, em vez dos antiretrovirais." Apresentando sua pesquisa recentemente no
 Instituto Politécnico em São Tomé, Maria do Céu Madureira, uma professora portuguesa de farmacologia e 
especialista na flora local, descreveu o anúncio de Valentim como "um pouco precipitado, porque 
não existe prova científica para apoiar sua afirmação, embora haja boa vontade e desejo de ajudar". 
  
Marcelina Costa, responsável pelo Departamento de Farmacêutica do Ministério da Saúde, foi mais dura. 
"O Ministério não tomou conhecimento prévio deste anúncio e não o apoia", afirma. 
 
Porém, na apresentação nos Arquivos Históricos Nacionais, Valentim estava ladeado pelo Ministro interino
 da Saúde, Armindo Aguiar, que, segundo a imprensa, encorajou o médico tradicional a continuar sua 
pesquisa. O anúncio de Valentim foi coberto pelos media - rádio, TV e jornais - sem oferecer outros pontos
 
 de vista das autoridades da Sida, e até o pronunciamento de Costa na conferência no Instituto Politécnico, 
que contou com a presença dos media, não tinha havido qualquer refutação, oficial ou pública, do Dorviro-Sida. 
"H relutância das nossas autoridades em confrontar instituições com poder sobre a população, como os 
líderes tradicionais ou as igrejas", conta Vaz. Ervas medicinais devem ser testadas. 
 
Entre os degradados edifícios coloniais de cor pastel em numa das praias mais movimentadas da capital, os 
perfumes de arnica, canela, incenso e um sortido de folhas e pós exala da loja de ervas medicinais 
 
Ervanária Ginseng. O vai-e-vem de clientes  é constante na pequena loja de cerca de trinta anos, 
alinhada com prateleiras e gavetas feitas da preciosa madeira obscura de São Tomé, cheias de 
produtos do Brasil, Portugal, e China. Não vai vender Dorviro-Sida tão cedo. 
 
 "O mais difícil com a medicina ervanária  é estabelecer a dosagem certa e as contra-indicações", diz o
 dono da loja, Tomé Lopes Pereira. "Não vendo produtos locais porque não passaram por análises científicas. 
Seria bom que o medicamento do Valentim fosse testado." 
Enquanto isso, Valentim argumenta que seu objectivo era realçar a riqueza de plantas medicinais e o  
conhecimento tradicional de São Tomé. Pressionar o governo a financiar pesquisa sobre eles. 
 
 Rica flora. Valentim tem razão. A rica diversidade biológica nas pequenas ilhas de São Tomé e 
Príncipe inclui mais de 700 espécies botânicas, 399 géneros, e 105 famílias. 
Destas, 95 são comuns em São Tomé e 37 em Príncipe. Outras foram trazidas da América Latina, do Mediterrâneo 
e de África durante 500 anos de colonização das ilhas até então inabitadas, onde exploradores 
portugueses atracaram em 1500. Madureira passou os últimos 14 anos a pesquisar e inventariar 
plantas medicinais locais, como parte de um projecto de etno-farmacologia desenvolvido em 
parceria pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e o Ministério da Saúde de São Tomé. 
 
Ela trabalhou com 40 velhos e respeitados stlijons (médicos tradicionais), primeiro ganhando sua confiança, depois
 identificando plantas e seus usos. Mais de metade da flora local  usada em medicina tradicional, estes médicos
 tradicionais são verdadeiras bibliotecas vivas e ambulantes, com sólidos conhecimentos das plantas locais", diz ela. 
O projecto registou mais de 1.000 fórmulas medicinais, "algumas extremamente complexas", acrescenta Madureira.
 (veja requadro) Sete dias de fermentação. A floresta começa justamente atrás de seu consultório, em Água Porca. 
Ele começou a aprender sua arte com sua mãe e sua avó aos 13 
anos. Já trabalhou como carpinteiro, servente de hospital, músico e compositor, tanto em São 
Tomé como em Libreville, no Gabão, onde viveu por 11 anos. 
Em sua sala tem duas prateleiras cheias de livros em português, inglês e francês sobre plantas, medicina alternativa 
e nutrição. Alguns dos 18 filhos de Valentim vão e voltam. Sua segunda mulher, Fernanda Menezes Pinheiro, também  
uma médica tradicional. Sua aparência esconde seus 53 anos e 13 filhos. No seu consultório uma nova remessa de 
Dorviro-Sida estou a fermentar, processo que leva sete dias mais uma noite de destilarão. 
O medicamento  despejado em velhas garrafas de cerveja de 500 ml, fechadas com uma rolha, seladas com cera, e
 rotuladas com etiquetas cor-de-rosa impressas no computador: "Dorviro-Sida, mistura de plantas, capazes de
adormecer a Sida. Conselho: Não te isoles da comunidade. Enfrenta a doena naturalmente. 
Segue o conselho do teu médico. Usa o preservativo durante o acto sexual". 
 
 Para reforçar a última parte, um pacote de preservativos está anexo ao gargalo da garrafa. O tratamento completo
 requer um mínimo de seis garrafas e um máximo de 18. Valentim aconselha os pacientes a continuar a tomar os 
antiretrovirais, embora um deles tenha interrompido o tratamento no ano passado porque se sentia curado. 
Não tem havido formação sobre HIV e Sida para os médicos tradicionais em São Tomé. "
Os médicos convencionais não querem nada connosco", diz Valentim. Tal formação podia ser o necessária 
para adormecer alegações infundadas.  Tal formação podia ser o necessária para adormecer alegações infundadas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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